O primeiro conselho

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    Hack
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    O primeiro conselho

    Mensagem por Hack em Sex Fev 13, 2015 9:53 pm

    Foram menos de cinco minutos de caminhada até chegarem na sala de estar da Casa Grande. Todos os demais líderes dos chalés estavam reunidos ali: Michelle Simon Dubois, líder do chalé de Afrodite, estava sentada numa poltrona com as pernas para o ar, fazendo as unhas. Gary&Larry estavam jogando ping-pong na mesa central. Nelson e Ceci pareciam discutir alguma coisa num canto; discutir, não. Era Nelson quem gritava, a cara suja de fuligem, agitando os punhos cerrados. Ceci apenas assentia e suspirava, parecendo muito preocupada, ouvindo o surto do filho de Ares pacientemente.

    Num canto, totalmente avulsa, estava uma garota de cabelos loiros cor de areia presos num coque muito bem feito. Seus olhos eram cinzentos, e ela parecia olhar os demais líderes de forma repreendedora. Mark a reconheceu: aquela era Alicia Clairet, filha de Atena, escolhida para tomar a posição de Gill Hamilton, o antigo líder do chalé 6, agora que ele havia desaparecido misteriosamente...

    Ao ver que Larissa havia finalmente chegado, Alicia deu um grande suspiro de alívio, correndo até ela.

    — Graças aos deuses!! Larissa, bote ordem nesse lugar!! — ordenou ela, impaciente.

    Larissa olhou para a sala. Ninguém mais parecia ter notado sua chegada.

    Ela limpou a garganta, tentando chamar a atenção de todos, mas foi em vão.

    — AAH!! — gritou um dos gêmeos.

    — CUIDADO!! — completou o outro.

    Numa tacada muito forte, a bolinha de ping-pong saiu voando e bateu em Michelle, que derrubou seu frasco de esmalte rosa-pink no chão, borrando as unhas. O gêmeo que iria rebater a bola fez uma tacada muito forte, e a raquete saiu voando pela sala, acertando a fuça de Nelson.

    Michelle e Nelson demoraram para se recuperar do choque. Seus rostos ficaram vermelhos de raiva. Lançaram um olhar furioso à Gary&Larry, que engoliram em seco.

    — Ops. — ganiram, em uníssono.

    — MINHAS UNHAS!! S-SEUS... EU VOU MATAR VOCÊS!!!! — rosnou Michelle.

    — VOCÊS ESTÃO MORTOS!!!!


    Os gêmeos correram um para cada lado. Michelle perseguiu um, e Nelson, empunhando sua lança, saiu correndo atrás do outro. Houve uma gritaria desgraçada; muitos móveis foram ao chão. Ceci encolheu-se atrás de um abajur, com medo de ser acertada sem querer por alguém. Alicia também recuou alguns passos, os olhos arregalados.

    Mark realizou um facepalm. “Apenas mais uma reunião tranquila do Conselho...”

    Larissa cerrou os punhos, tremendo de raiva. Uma chama púrpura brilhava em seus olhos perigosamente.

    — H-Hã... Lari? — Kathy chamou a amiga, suavemente.

    A garota cheinha ignorou-a. Seu tremor intensificou. Caminhou até o centro da sala, ficando na ponta de uma grande mesa de madeira, batendo nela com as mãos. A mesa rachou.

    — CALADOS, TODOS VOCÊS!!!!!!!!!

    O grito de Larissa sacudiu o lugar. Imediatamente, Gary&Larry pararam de correr. Michelle freou subitamente, quase acertando os gêmeos por pouco. E então, Nelson bateu nos três com tudo, e todos foram ao chão num estrondo.

    — Ai!! — gritou um dos gêmeos.

    — Ouch! — gritou o outro.

    — SAIAM DE CIMA DE MIIM, SEUS BRUTAMONTES NOJENTOS!! — ordenou a filha de Afrodite, dando um chute na cara de Nelson.

    — CALADOS. TODOS. VOCÊS. — repetiu Larissa, encarando os quatro.

    Eles engoliram em seco, amedrontados.

    — Aos seus lugares. JÁ!!

    Gary&Larry foram correndo até dois grandes pufs em forma de banana. Nelson resmungou, tirando a sujeira da armadura, escorando-se numa parede. Michelle tratou de ajeitar suas roupas e cabelos, sentando em sua poltrona rosa-choque, pegando um espelho e retocando a maquiagem. Ceci saiu de trás do abajur e ficou ao lado de Kathy, que sentou-se num sofázinho marrom.

    Mark assumiu sua posição ao lado esquerdo de Larissa, na ponta da mesa. Cruzou os braços musculosos contra o peito, imponente. Ele lançou um olhar à direita de Larissa, ao vazio, sentindo-se nostálgico por um momento... Aquele era o lugar que Gill costumava ocupar.

    Assim que a filha de Dionísio iniciou seu discurso, Mark saiu de seus devaneios, voltando para o presente.

    — O Conselho está aqui, reunido hoje, para discutir o evento que ocorreu mais cedo, durante a caça dos novatos. — começou Larissa, fitando cada um dos líderes intensamente. — Está iniciada essa sessão!!

    Nelson deu um passo à frente.

    — Durante a atividade, um fogo iniciou-se de forma misteriosa, espalhando-se rapidamente pela Floresta. O chalé 5, com ajuda do chalé 4, tratou de controlar as chamas, extinguindo o incêndio.

    Ceci levantou-se do sofá onde estava, pondo-se ao lado de Nelson. Ela corou de leve, tímida ao sentir todos os olhares da sala voltados em sua direção.

    — O incêndio foi grande. Fizemos o possível para salvar a Floresta e as dríades, mas... muitas árvores foram destruídas. — ela baixou o olhar, soluçando. — Perdemos muitos espíritos da floresta...

    Um burburinho começou.

    — Quem foi o culpado por iniciar o incêndio? — pronunciou-se Alicia. — Ele tem de ser punido.

    — Deve ter sido algum dos novatos... — um dos gêmeos coçou o queixo, pensativo.

    — ... Alguém que estava participando da caçada! — completou o outro.

    — Como alguém poderia ter começado um fogo assim, do nada? — indagou Kathy, sem entender.

    Mark estava silencioso, como sempre. Mas havia algo mais em seu semblante: nervosismo. Nelson notou aquilo, dando um sorrisinho cruel.

    — E então, Barrett? O gato comeu sua língua? — ele riu, desdenhoso. — Compartilhe suas ideias conosco, por favor!

    O filho de Hefesto resmungou algum palavrão, lançando um olhar cortante na direção de Nelson.

    — Você sabe de algo, Mark?! — gritou Kathy, ansiando por qualquer informação.

    — Conte-nos tudo o que sabe. — disse Alicia, controlada. — Precisamos de qualquer informação que nos seja útil.

    Mark mordeu os dedos. Mais um sinal claro que estava muito nervoso.

    — Desembuche, Mark. — Larissa pediu, notando o nervosismo do amigo.

    — ... Dennis. Foi ele quem iniciou o incêndio...

    O burburinho ficou ainda mais alto. Muitos olhares foram trocados entre os líderes.

    — O ruivinho?! — Kathy cobriu a boca, surpresa. — Mas... Como?!

    Mark assentiu.

    — Eu estava acompanhando-o durante a caçada... Foi muito... rápido. De repente, Dennis pegou fogo. Literalmente. As chamas consumiram seu corpo e... ele parecia fora de si. — ele cerrou os punhos, ignorando a dor das mãos queimadas. — De repente, a Floresta estava em chamas.

    Gary&Larry pularam de seus pufs de banana.

    — M-Mas...!!

    — ... Como ele fez isso?!

    Alicia soltou um “hmm”, coçando o queixo.

    — Esse tal de Dennis é um filho de Hefesto?

    Mark novamente assentiu a cabeça.

    — Determinado ontem.

    — Está tudo explicado.

    Todos franziram o cenho, ainda mais confusos.

    — O quê está explicado?? — indagou Kathy, perdida.

    — Queridinha, você é burra ou o quê? — Michelle bufou. Estava até então focada apenas em consertar suas unhas, lixando-as. Levantou seu olhar das mãos, fitando a filha de Apolo com desdém. — Isso é óbvio!

    Kathy cerrou os dentes, furiosa com o insulto.

    — Ah, é?? Se é tão óbvio, por quê você não fala então??

    — Acho que Markzinho poderia explicar isso melhor, não é, docinho? — a filha de Afrodite fitou então Mark, dando um sorrisinho tão adorável que o fez ficar com ânsia de vômito.

    — ... É muito raro, mas... Dennis é um filho de Hefesto que consegue manipular o fogo.

    Nelson estava estupefato.

    — HÃ?? VOCÊ DEVE TÁ ZOANDO COMIGO, BARRETT!! Dennis, um filho de Hefesto capaz de controlar o fogo... Como que alguém como ele pode ter uma habilidade assim?!

    — Isso é demais!!! — Gary&Larry realizaram um high five, animados por motivo nenhum.

    — Isso é um perigo. — Alicia deu um passo à frente, séria. Fitou então Mark e Larissa. — Ele é uma ameaça ao Acampamento. Dessa vez, nenhum campista foi machucado, mas e da próxima...? Ele não tem controle algum sobre sua habilidade. E deve ser punido por tem incendiado a Floresta!

    Mark franziu o cenho. Larissa fitou o chão, pensativa.

    — Ele não pode ser punido. — grunhiu Mark, defensivo. — Ele não teve culpa.

    — Consciente ou não de seus atos, o fato é que ele cometeu um crime. E tem de ser punido.

    — Aah, eu concordo com ela!! — disse Nelson, sorrindo cruelmente. Só queria mesmo era ferrar com Mark. — Dennis precisa ser punido!

    Os líderes começaram a se dividir. Ceci levantou o braço, tentando fazer com que fosse ouvida, mas era difícil.

    — E-Ei! Pessoal!! — ela saltitou, agitando as mãos. — Eu não acho que seria certo punir Dennis! Digo, ele é uma boa pessoa! Ele jamais faria algo assim apenas para prejudicar o Acampamento...

    — Ele é um perigo! — repetiu Alicia, batendo com as mãos na mesa na tentativa de atrair a atenção de todos. — Filhos de Hefesto com essa habilidade estão destinados a participarem de uma grande tragédia... Precisamos falar com Sr. D.

    — E fazer o quê?? — rosnou Mark, dando um passo em direção à filha de Atena. — Como você planeja puni-lo, hã? Mandando ele lavar os banheiros pelo resto do verão?? Ou... você pensa em se livrar dele...? — ele estreitou o olhar, enojado. — Afastá-lo apenas vai piorar tudo... Ele precisa ser ensinado. Precisa aprender a controlar sua habilidade!! Ele é um meio-sangue assim como todos nós... E não um monstro...!! — disse, firme, dirigindo-se à todos os líderes. — Vocês não viram... Não viram o quão assustado Dennis estava quando viu a Floresta em chamas... Ele nem sequer sabia que tinha sido ele quem incendiou a Floresta...!!

    Os líderes se entreolharam. Alicia cruzou os braços, nem um pouco convencida pelo discurso de Mark.

    — Ah, é mesmo? E o que você pretende fazer, Barrett? Ensiná-lo a controlar sua habilidade??

    Ele se silenciou. Não queria que fizessem nada contra Dennis, mas... também não estava disposto a ser seu responsável. A assumir seus erros.

    Larissa pareceu sair do seu transe. Seus olhos brilharam num tom púrpura, decidida.

    — Isso mesmo. — então, fitou Mark. — Você será o responsável por ensiná-lo, Mark. Você ensinará Dennis a controlar sua habilidade.

    Mark gaguejou, atônito.

    — E-Eu...?

    Larissa assentiu, dando um sorrisinho.

    — E quem mais? Ele é seu meio-irmão. Além disso, uma hora ou outra, você teria que ensiná-lo a forjar armas e etc... Então, ensine-o também a controlar sua habilidade!!

    Kathy e Ceci assentiram a cabeça, aprovando a ideia. Alicia ainda não parecia convencida... Já Michelle estava totalmente absorta à conversa, agora retocando o batom.

    — A-Ah... Mas...!! Eu tenho que cuidar da Forja! E do Arsenal! E-Eu... Não posso ser a babá de Dennis!! Por quê o Thiago não faz isso...? — resmungou Mark, inconformado.

    — Ué! Foi você quem teve a ideia de treiná-lo, não foi? — respondeu Larissa.

    — Eu concordo com ela!! — gritou Nelson, rindo-se. — Você tem cara de quem seria uma óótima babá, Barrett! Talvez você deveria deixar de trabalhar na Forja para cuidar de bebês!

    Mark limitou-se a lançar um olhar gélido na direção do filho de Ares.

    — Então está decidido! Mark ficará responsável por treinar Dennis. Também será responsável por seus atos, e será punido em seu lugar caso não faça bem seu trabalho. — disse, soando ameaçadora.

    O loiro xingou baixinho, afundando-se numa poltrona de couro. “No que eu fui me meter?!”

    — Hã, então, tipo... Se isso tudo foi resolvido, eu posso ir embora, né? — disse Michelle, ajeitando sua bolsa que parecia custar mais que o Acampamento inteiro. — Sabe, eu preciso, tipo, fazer muitas coisas ainda, como esfoliar minha pele linda, hidratar meus cabelos maravilhosos, etc e etc...

    — Ainda não estamos encerrados. — disse Larissa, séria novamente. — Há mais um assunto a ser discutido...

    — Ah, é...? — indagou um dos gêmeos.

    — Qual? — disse o outro, curioso.

    — ... O cão infernal. — respondeu a filha de Dionísio, sombria.

    Ceci e Michelle arregalaram os olhos, assustadas. Gary&Larry estavam boquiabertos. Até mesmo Alicia, que mantinha um semblante indiferente, parecia surpresa.

    — Um... cão infernal? — repetiu a filha de Atena. — Isso... Não. Isso é impossível!

    — Acredite, lindinha... Encontramos um cão infernal perambulando pela Floresta!! — Nelson sorriu, convencido. — Mas ele não foi páreo para mim e minha lança... HAHA!!

    — Não sabemos como ele veio parar aqui... Alguém deve tê-lo invocado. Convidado para entrar no Acampamento. — disse Larissa.

    Todos começaram a discutir.

    — Quem?

    — Quem faria isso...?

    — Mas... um cão infernal?!

    — Por quê??

    Larissa chamou a atenção de todos, elevando seu tom de voz:

    QUIETOS!! Ouçam!! O cão infernal surgiu logo após o fogo ter sido iniciado... Ele atacou uma novata e, se não fosse por Nelson e Kathy, ela estaria morta agora. O cão estava decidido à mata-la... e apenas ela. Não atacou nem Mark, nem Dennis, nem Julien, que estavam lá também.

    — E... como ela está? — perguntou Ceci, apavorada.

    — Ela está bem. — pronunciou-se Kathy. — A levamos até a Enfermaria e, com a ajuda de Rose, tratamos de seus ferimentos. Ela não corre risco algum. Mas... se tivéssemos chegado um segundo atrasado...

    A filha de Apolo silenciou-se. Ceci cobriu a boca, horrorizada com aquela possibilidade...

    — Tá, tá... Certo. Que bom para ela. — Michelle agitou as mãos, impaciente. — E daí? A menina está sã e salva, vivinha. O cão infernal está morto. O que temos de discutir??

    — Por quê um cão infernal estava no Acampamento. E por quê ele atacou Elisa, e apenas ela. — respondeu a gordinha.

    Todos se silenciaram, pensativos. Alicia foi a primeira a se pronunciar.

    — Há algo de especial nessa garota.

    Nelson bufou, desdenhoso.

    — Ela é um fracasso!! Não sabe empunhar nem uma espada de iniciante, não sei como ela sobreviveu ao escorpião que eu arranjei!! Sinceramente, nem sei por que um monstro como um cão infernal se interessaria nela!!

    — De qual chalé ela é?

    Gary&Larry se pronunciaram:

    — Atualmente...

    — Indeterminada.

    — E vocês fazem ideia de qual chalé ela pertence? — perguntou Alicia, curiosa.

    Gary&Larry balançaram a cabeça para o lado, juntos.

    — A mãe dela é mortal. — resmungou Mark, da poltrona de couro onde estava jogado.

    — Ares, Apolo, Hefesto, Hermes e Dionísio...

    — Ela não é de maneira alguma filha de Ares!! — gritou Nelson, sentindo-se ofendido pela suposição. — Sério, cara!! Vocês não viram ela lutando?? Até fiquei com vontade de chorar, e olha lá que eu não sou um cara sentimental!!

    — Elisa não é de Hefesto. — respondeu Mark, firme. Aquilo era óbvio para qualquer um.

    — Se ela fosse uma meia-irmã minha, meu pai já teria a determinado... — Larissa coçou o queixo.

    Sobrou duas opções: Hermes e Apolo.

    — Olha, sinceramente... — começou um dos gêmeos.

    — ... Ela não tem cara de quem é de Hermes, não.

    — Talvez ela possa ser de Apolo! — Kathy deu um pulo do sofá, animada com a ideia.

    — ... Ela disse que não tem talento musical algum. — resmungou o filho de Hefesto, entediado. — Mas... Talvez...

    — Ela pode ser uma filha de um deus menor qualquer! — supôs Michelle. — Pronto! Tudo resolvido! Podemos ir embora agora, por favoor? — pediu, numa vozinha doce.

    — Isso não explica por quê um cão infernal se interessaria nela... — Larissa suspirou, confusa.

    — Então talvez ela seja algo à mais... Talvez... Pode ser que estejamos lidando com uma filha de um dos Três Grandes. — disse Alicia, mortalmente séria.

    O ar na sala tornou-se pesado de repente. Todos se silenciaram. Trocaram olhares nervosos, todos os líderes.

    Pensar naquela possibilidade...

    — Não. — Mark levantou-se. — Não. Isso é impossível.

    — A loirinha?? Filha de um dos Três Grandes?! HAA!! BOA PIADA!! — Nelson caiu na gargalhada, segurando a barriga.

    Gary&Larry trocaram um olhar e deram sorrisinhos.

    — Filha de...

    — ... um dos Três Grandes?

    Mark estava inconformado com aquela suposição. Mordeu seus dedos com força, deixando as marcas de seus dentes em sua pele.

    “De novo não...”

    Larissa parecia tão agitada quanto o filho de Hefesto. Não queria acreditar naquela possibilidade, mas... juntando as peças...

    — Isso... Faz sentido. — disse, por fim.

    O burburinho se intensificou. Todos levantaram de seus assentos, discutindo, gritando uns com os outros.

    Um filho dos Três Grandes??

    — Quem?? De quem ela é filha? — indagou Kathy, agitada.

    — Ela está correndo risco! — disse Ceci, tremendo de medo. — Temos que protegê-la!! Antes que... Antes que...

    — CARA!! SERÁ QUE AQUI TODO MUNDO É RETARDADO?! DAONDE QUE A LOIRINHA É FILHA DE UM DOS TRÊS GRANDES?!?!

    — AAAH, mas que chaticeeee!! — Michelle pegou sua bolsa, pronta para sair da sala.

    Mark passou os dedos pelos cabelos malcuidados, trincando os dentes. Larissa lançou um olhar à ele, parecendo preocupada.

    Ambos sabiam muito bem o que significava ser filho de um dos Três Grandes. Da desgraça que Elisa teria que enfrentar.

    A filha de Dionísio notou que os olhos de Mark pareciam marejados. Leu seus lábios, que movimentaram-se silenciosamente:

    “De novo, não.”

    Larissa novamente socou a mesa central, fazendo com que todos voltassem a prestar atenção nela.

    — SI-LÊN-CIO!!!!

    A sala inteira ficou quieta.

    — Escutem-me, todos vocês!! Isso é apenas uma suposição, estão ouvindo?? Não há motivos para surtarem assim! A partir de hoje, não será mais tocado esse assunto! Todos vocês estão estritamente proibidos de comentarem sobre isso entre si, ou com seus meio-irmãos. Até não termos provas concretas que Elisa, de fato, é filha de um dos Três Grandes, isso será mantido em sigilo total. — ela respirou fundo, recuperando o fôlego. — Quando menos ela suspeitar, quando menos ela souber, melhor. Quero que todos vocês, em especial, Nelson e Alicia, mantenham um olho em Elisa. Tentem descobrir quem é seu pai divino, mas sejam discretos!! Mark, confio em você para cuidar dela.

    O filho de Hefesto franziu o cenho, sem compreender o que a outra queria dizer com aquilo.

    — ... Eu?

    Uma enxurrada de más memórias inundaram a mente de Mark. Ele bateu com os dedos na perna.

    — ... Não sou capacitado para isso, Larissa. — sussurrou, ressentido. — Você sabe muito bem disso...

    — Hã, tem como eu inscrever meu sobrinho na creche do Barrett? — indagou Nelson, dando um sorriso maldoso.

    Mark o encarou friamente. Mais friamente que o usual.

    Nelson sentiu um calafrio percorrer seu corpo, calando a boca.

    — Eu já sou babá de Dennis... Preciso mais ser babá de Elisa? Tipo, droga... Eu preciso trabalhar!!

    — Se não pode cuidar dela, procure alguém que possa. — respondeu Larissa, bufando. — Acho que, com isso, estamos decididos!! — gritou, dirigindo-se à todos os líderes. — Essa sessão do Conselho está oficialmente encerrada...! Agora, todos de volta ao trabalho!

    Os líderes saíram apressadamente da sala, cochichando. Apenas Larissa e Mark permaneceram na sala.

    A filha de Dionísio aproximou-se do loiro, que desviou o olhar. Segurou seus ombros largos, fazendo com que ele olhasse para seu rosto.

    — Não foi sua culpa, Mark. Pare de se crucificar por isso. — disse, suavemente.

    O loiro sacudiu a cabeça para os lados, em negação.

    — ... Foi tudo minha culpa.

    Ele olhou nos olhos de Larissa, parecendo prestes a chorar.

    — ... Tenho trabalho a fazer. — grunhiu, afastando a garota de si e saindo então da sala de estar.

    A gordinha limitou-se a suspirar pesadamente.

    — Não vai ser como da última vez, Mark. — prometeu, decidida.



      Data/hora atual: Sex Jul 21, 2017 2:31 am