A caça à bandeira

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    Caio

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    Re: A caça à bandeira

    Mensagem por Caio em Qua Jul 08, 2015 9:03 pm

    Clover feliz com o resultado sorriu para o adversário, não esperava ganhar na sua primeira batalha no caça bandeira, ainda mais contra um veterano. Vendo os esforços inúteis do outro e ouvindo as palavras de sua aflição, pensou que tinha pegado pesado demais com rapaz.

    - Bem acho que isso te pertence. - Então ela deixa a flauta próxima do inimigo, mas não tão perto ao ponto de que ele possa pega. - Foi interessante, espero nos encontrar novamente.

    Então a garota saiu correndo mata adentro em direção da sua bandeira, querendo falar da aproximação do inimigo para a defesa de seu time.
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    Nate

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    Re: A caça à bandeira

    Mensagem por Nate em Qua Jul 08, 2015 9:12 pm

    LUTA: ALLEN


    Vários minutos já haviam se passado desde o começo da caça à bandeira, e durante todo esse tempo, Allen caminhava pela floresta sem rumo. Não estava interessado em participar dessa “brincadeira”, por isso se manteve afastado o máximo possível de sua equipe, esperando também que nenhum adversário aparecesse em sua frente e tentasse iniciar uma luta.

    Conforme avançava, o cheiro da terra e da vegetação trazia boas memórias de sua casa. Não muito distante de sua fazenda havia um pequeno bosque como esse. Allen adorava fugir de suas obrigações no campo e passar a tarde dormindo ou colhendo algumas frutas no local, mas o que mais gostava mesmo era de subir nas árvores e sentir o vento tocando seu rosto.

    Perdido em seus pensamentos, o jovem nem notou quando uma grande raiz de árvore surgiu à sua frente fazendo-o tropeçar e rolar algumas vezes, terminando com a cara na terra. Logo em seguida, escutou alguém comemorando ao seu lado:

    —  Isso!! Funcionou direitinho!!

    Allen não precisou olhar para a pessoa para saber que era uma menina. E ao virar-se para ela, notou que parecia ter a mesma idade que o albino, ou talvez 1 ano a menos. Tinha uma estatura média, longos cabelos castanhos e olhos incrivelmente verdes, que pareciam brilhar ao refletirem a luz da lua. Presa ao cabelo havia uma grande flor de tom rosado.

    — Foi ocê que fez isso comigo? – Perguntou, chamando a atenção da garota que parecia ocupada comemorando o sucesso de sua armadilha.

    —  Ahn?... Ah! Sim! Mas não é “ocê”, é Lilia Magnolia, do chalé 4! E se você me disser onde está a bandeira de seu time deixarei você partir sem mais nenhum... — Dizia a garota, confiante, mas ao olhar para a cara de sua vítima, ela ficou sem palavras. A expressão de raiva do albino estava parecendo a de um filho de Ares, o que a fez sentir um imenso medo.

    —  Nenhum o quê? Desembucha. —  Disse Allen enquanto se levantava. Ele não entendeu a mudança de comportamento na menina. Ele só estava um pouco bravo por ela ter atrapalhado o seu momento com a natureza mas, como a sua expressão normal já não é assim tão pacífica, para os outros é como se ele estivesse enfurecido.

    —  N-N-Nenhum... POR FAVOR, NÃO ME MACHUQUE!! —A garota gritou, apontando as duas mãos em direção ao rapaz. No mesmo instante, duas raízes gigantes brotaram do chão e avançaram em direção a Allen.

    O ataque pegou o jovem desprevenido, causando duas feridas em seu braço esquerdo. Porém, o garoto pareceu nem se importar com os machucados. Estava surpreso demais com o que observou. Ver aquele crescimento anormal de uma raiz o fez lembrar de uma conversa que teve com sua mãe, onde tinha ouvido falar que os homens da cidade utilizavam uma certa substância que diminuía o tempo de crescimento de uma plantação. Claro que a mulher se mostrou contra o uso disso, afirmando que isso tirava toda a diversão de ver os seus frutos nascerem através de seu trabalho duro. Já Allen não compartilhava da mesma visão. Para ele, qualquer atalho seria muito bem-vindo. “Será que ela está usando aquilo?”, pensou Allen. “Eu pensei que só diminuía pouco tempo, mas as raízes estão crescendo muito rápido!”

    Quando sua atenção voltou-se para a jovem, percebeu que esta ainda continuava com uma expressão de medo estampada em seu rosto. Mas, antes de abrir sua boca para tentar conversar, mais daqueles ataques vieram em sua direção. Dessa vez, o albino não hesitou e transformou sua pulseira em uma longa lança, e com alguns golpes rápidos conseguiu cortar as raízes que vinham em sua direção.

    - O que ocê tá fazendo? Eu não quero participar dessa “brincadeira”, então vá procurar outra pessoa pra incomodar! – Falou já um pouco nervoso. Não havia percebido antes, mas a ferida em seu braço estava lhe causando muita dor.

    Lilia estranhou o comportamento de Allen. Não era sempre que alguém desistia de batalhar (bem, talvez só os filhos de Afrodite, mas ela tinha certeza que o rapaz não era um deles). Também não era um filho de Ares, já que eles só pensam em lutas. Talvez fosse um filho de Hermes ou indeterminado, mas se a primeira alternativa estivesse correta, ela não poderia acreditar no adversário. Aquilo bem que podia ser uma armadilha. Vendo que não havia outro jeito, a garota continuou a atacar. Se continuasse assim, ela poderia ter uma chance contra ele

    Com o comando de Lilia, alguns troncos de árvores próximas começaram a se movimentar em volta de Allen. Este ainda parecia surpreso com o poder da garota, no entanto sabia que não podia abaixar sua guarda. De repente, 4 troncos avançaram em direção ao jovem. Com um giro em sua lança, ele conseguiu cortar 2 deles, todavia os outros dois conseguiram agarrá-lo e jogá-lo para trás, fazendo com que seu corpo atingisse com tudo uma árvore e a sua lança acabasse caindo longe dele. No mesmo instante, diversas vinhas começaram a crescer em volta de seu corpo, o prendendo. O albino deixou escapar um pequeno grito por conta da dor, o que chamou a atenção da garota. Por um breve instante, ela pareceu querer chorar. Não era seu objetivo machucar ninguém, só estava com muito medo do que o seu adversário poderia fazer.

    Ver a mudança de comportamento da garota, de medo para tristeza, fez Allen lembrar-se novamente de sua casa, quando sua mãe o havia ensinado que, mesmo contra a sua vontade, você deve sempre ser o caçador para que não acabe como uma presa. Naquele momento o rapaz não entendera o significado disso, afinal não havia nada que pudesse o caçar na fazenda. Suspeitava que aquilo fosse apenas uma desculpa para que sua mãe o ensinasse a retirar a pele de uma vaca e separar as partes boas da carne, o que foi uma experiência bem traumatizante para uma criança de 6 anos.

    Todavia, durante essa luta, Allen percebeu que a jovem estava se esforçando para ser o “caçador”, apenas para não sair machucada como uma “presa”. E pela sua expressão, não estava gostando nem um pouco da idéia de machucá-lo. “Se eu puder chegar mais perto, acho que dá pra vencer sem machucar ela tanto”, pensou o jovem. Mas o seu plano era mais difícil do que parecia. As vinhas continuavam a apertar seu corpo com muita força.

    Virando a cabeça para o lado, Allen encontrou a sua lança caída no chão a alguns metros de distância. Se fosse possível alcançá-la, o garoto poderia cortar as vinhas presas a ele. Esse seu pensamento foi tão intenso que, sem ele perceber, um forte vento começou a soprar daquele lado. Tanto Allen quanto Lilia ficaram surpresos e, enquanto tentavam se proteger do vento, nenhum dos dois percebeu quando a lança avançou em direção à árvore em que o garoto estava preso, cortando a maior parte das vinhas. Após isso, o vento parou subitamente. Aproveitando ocorrido, o albino se afastou da árvore e pegou sua lança.

    —  O-o que foi isso? De onde esse vento veio? —  Perguntou Lilia ainda chocada com o que ocorreu. —  Foi... Você que fez isso?

    Allen não respondeu a pergunta, também não sabia como o vento tinha surgido. Mas uma coisa era certa: o vento o ajudara a se soltar. E essa não era a primeira vez que algo assim acontecia. Durante a luta contra aquele escorpião gigante, o rapaz sentira a mesma coisa.

    Quando o jovem voltou sua atenção para Lilia, notou que esta ainda se encontrava surpresa. Não desperdiçando a chance, Allen avançou em sua direção com a sua lança. Por ter tido mais experiências em batalhas, a jovem conseguiu defender o golpe a tempo com sua pequena foice que tinha tirado de seu cinto. No entanto, ela não esperava que o garoto conseguisse tirar a arma de sua mão apenas com a força, e quando se deu conta do que aconteceu, sua arma já estava longe dela.

    —  Agora não tem mais como cê lutar. Vamos parar com isso. Não quero te machucar, mas se ocê ainda continuar com isso, tenho que mudar de idéia. —  Disse Allen, sem nem perceber que as palavras que tinha escolhido não eram de muita ajuda.

    Assustada, a garota caiu para trás. Sabia que a sua derrota já estava decidida, mas ainda se recusava a acreditar no adversário. Em um movimento rápido, ela pegou um pequeno saco preso em seu cinto e o jogou em direção ao rapaz. Várias sementes que estavam lá dentro se espalharam ao redor de Allen. E ao simples movimento de Lilia em tocar a terra com as duas mãos, as sementes começaram a crescer em uma velocidade impressionante. Algumas delas se transformaram em pequenas árvores com raízes longas e grandes, que prenderam a perna do jovem. Outras cresceram em macieiras altas com troncos bem grossos, que avançaram em direção ao albino.

    Para Allen, tudo isso aconteceu rápido demais para ele processar, a única coisa que ele tinha em mente era que se ele não fizesse nada, os troncos iriam causar diversas feridas. Como suas pernas estava presas, não havia meio de escapar, e o rapaz não conseguiria bloquear todos os ataques a tempo. A única coisa que restou a ele foi fechar os seus olhos e desejar que o vento o ajudasse novamente.

    E foi isso que aconteceu.

    Antes dos troncos o alcançarem, Allen sentiu novamente a mesma sensação estranha de antes, e mesmo com olhos fechados, notou que uma forte rajada de vento circulou em torno de seu corpo. Só depois de ter ouvido o grito de Lilia que o rapaz abriu os seus olhos.
    Quando ele olhou em sua volta, observou que as macieiras estavam todas derrubadas, e à sua frente estava a sua oponente. A garota parecia ter sido empurrada até uma árvore, e em toda parte de seu corpo, pequenos cortes podiam ser notados.

    —  Como você consegue controlar...o vento? – Perguntou a garota, de forma lenta, o que revelava seu cansaço.

    —  Fui eu quem fez isso? —  Mas antes de ser respondido, Allen viu a garota fechar os olhos e começar a dormir. Aquele último ataque devia ter esgotado toda a sua força.

    Vendo que não teria sua resposta naquele momento, Allen pegou uma maçã intacta que havia caído de uma das macieiras e sentou do outro lado da árvore em que Lilia dormia. Se ficasse esperando ali, talvez pudesse perguntar a ela novamente, depois que acordasse. E também, não estava com vontade de sair andando por aí com um braço ferido.

    Depois de dar uma mordida na fruta, o jovem se encantou com o sabor. Era totalmente diferente das frutas que havia em sua fazenda, sendo incrivelmente mais doce. Visualmente também parecia ótima. Allen não se lembrava de alguma vez ter colhido uma maça com um vermelho tão intenso como aquele. Talvez algum dia ele poderia chamar aquela garota para ajudá-lo a cuidar da fazenda...


    Última edição por Nate em Sex Jul 17, 2015 12:52 pm, editado 1 vez(es)
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    Re: A caça à bandeira

    Mensagem por Hack em Qua Jul 08, 2015 9:17 pm


    Dennis "finalmente achou" Ryan, ficando ~completamente surpreso~; em encontra-lo ali. O ruivinho abriu um largo sorriso e mostrou os dentes sujos de lama e grama, colocando as mãos na cintura.

    — Ora, ora...!! Pirralho, é você!! Meu pocotó alado, quem diria que eu o encontraria aqui...! Então, como você veio parar no meio dessa floresta, hm? Se perdeu do resto do vilarejo dos smurfs, é? Ou você se perdeu da Branca de Neve e dos outros seis anões?? HA! — Ele deu uma risada estridente, rindo da sua própria piada. — Eu não sabia que deixavam bebezões como você participarem da caça à bandeira!!

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    Re: A caça à bandeira

    Mensagem por Cah em Qua Jul 08, 2015 9:17 pm

    — Como é que é ?! — O garoto apontou para Dennis cheio de raiva — Vem cá dizer isso na minha cara, seu mané! Eu é que não sabia que imbecis podiam participar desse tipo de jogo, pra cair em uma armadilha besta dessa...SÓ SENDO MUITO BURRO!!
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    Re: A caça à bandeira

    Mensagem por Hack em Qua Jul 08, 2015 9:20 pm


    O filho de Hefesto ficou vermelho de raiva ao ser chamado de estúpido por ter caído naquela maldita armadilha imbecil. Indignado, ele também apontou para o menino, fumaça saindo de sua cabeça.

    — QUEM AQUI VOCÊ TÁ CHAMANDO DE MANÉ, Ô PROJETO DE HOBBIT???? P-POIS FIQUE SABENDO QUE EU CAÍ NESSA ARMADILHA DE FORMA PROPOSITAL PARA ATRAIR BABACAS COMO VOCÊ PARA A MINHA ARMADILHA!! — Inventou Dennis, de última hora, sem querer parecer um idiota. — E VOCÊ CAIU QUE NEM UM BOBO NA CASCA DO OVO, HA!! ESPERE SÓ; EU VOU FAZER VOCÊ ENGOLIR A SUA LÍNGUA, SÓ DEIXA EU SAIR DAQUI DE CIMA E...

    O ruivo tentou agarrar o laço que prendia seu pé à arvore, falhando miseravelmente nisso. Ele tentou de novo e de novo até que, exausto de tentar, soltou um grunhido e começou a se debater que nem uma minhoca na armadilha, gritando que nem uma mulherzinha:

    — ME TIRA DAQUIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!!!

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    Re: A caça à bandeira

    Mensagem por Cah em Qua Jul 08, 2015 9:21 pm

    Ryan apertou o cabo da adaga, só aguardando o momento para fazer com que o outro pagasse, mas, ao vê-lo se enroscando ainda mais na armadilha, ele só conseguiu o encarar, perplexo. Era possível alguém ser tão idiota?

    — Quer saber? Eu espero que você morra aí preso —Disse o garoto, se virando para ir embora. —Tomara que algum monstro da floresta te coma.
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    Re: A caça à bandeira

    Mensagem por Hack em Qua Jul 08, 2015 9:25 pm


    Só de pensar nos monstros que poderiam atacá-lo foi o suficiente para fazer o garoto sardento tremer de medo. Vendo que o pirralho havia lhe dado as costas e estava pronto para deixá-lo à mercê da sorte naquela armadilha imbecil, Dennis gaguejou, dando um outro gritinho:

    — N-NÃO ME DEIXE AQUIIII, SEU NANICO IDIOTAA!!!!

    A temperatura corporal do ruivo começou a subir. Um terrível cheiro de queimado se espalhou pelo local e logo, a corda que prendia Dennis queimou e arrebentou-se. Dennis voou de encontro ao chão, caindo de cara num grande estrondo. Ele gemeu e, ao erguer a cabeça, estava com o cabelo cheio de grama e os dentes sujo de lama.

    — O-Ouch... Isso doeu... — Choramingou o filho de Hefesto.

    Mas sem perder tempo, Dennis levantou-se num pulo, ignorando a dor da queda. Encarou Ryan com determinação, fazendo pose de fortão.

    — EEI, PIRRALHO!! EU TE DESAFIO PARA UM D-D-D-DUELO!!


    (okay, n é pra esse tipo de duelo mas)

    O ruivo cerrou os punhos, socando-os um contra o outro. De repente, mecanismos e engrenagens surgiram e envolveram os punhos de Dennis, aumentando de tamanho e tomando forma.

    No final da transformação, Dennis empunhava duas enormes manoplas de bronze celestial, que soltavam vapor e apitavam, adaptando-se às mãos do garoto. Acostumando-se com o peso das novas armas feitas especialmente por Mark, Dennis deu um grito de guerra e correu na direção de Ryan, — afim de pegá-lo desprevenido, apesar do seu grito não ser nem um pouco discreto — desferindo um soco em sua direção.

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    Re: A caça à bandeira

    Mensagem por Cah em Qua Jul 08, 2015 9:35 pm

    O garoto se surpreendeu com a decisão do mais velho em atacá-lo tão diretamente. Não foi difícil desviar do golpe, mas aquelas coisas que pareciam luvas o deixavam um pouco preocupado.

    — Então vai querer lutar? —Ryan perguntou, puxando suas adagas. — Heh, mesmo que você tenha essa arma aí, ela não vai te ajudar em nada. Vou vencer de você de novo!


    Última edição por Cah em Qua Jul 08, 2015 9:36 pm, editado 1 vez(es)
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    Re: A caça à bandeira

    Mensagem por Hack em Qua Jul 08, 2015 9:35 pm


    Visto que Ryan tinha desviado de seu soco, Dennis bufou, sem conseguir parar seu golpe. Quase perdeu seu equilíbrio — sinal de que ainda não estava tão acostumado assim com as manoplas como pensava.

    Com a pergunta do pirralho, o ruivo deu um sorrisinho torto, novamente se posicionando para a luta. Uma chama decidida brilhava em seus olhos.

    — CAI DENTRO, NANICO!! EU NÃO VOU PERDER PRA VOCÊ DESSA VEZ NÃO!!!

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    Re: A caça à bandeira

    Mensagem por Cah em Qua Jul 08, 2015 9:37 pm

    Ryan riu, também animado para a luta. Decidiu arremessar uma das adagas para ver se Dennis conseguiria desviar.
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    Re: A caça à bandeira

    Mensagem por Hack em Qua Jul 08, 2015 9:38 pm


    O ruivo deu um gritinho, assustando-se quando Ryan lançou uma de suas adagas em sua direção. Realmente, não esperava aquilo.

    Lento demais para desviar, Dennis ergueu os punhos, defendendo-se com as manoplas. A adaga foi lançada para o lado, fincando-se no chão terroso da floresta.

    — Heh. Isso é o melhor que consegue fazer, hm?? Vai precisar de mais do que isso para conseguir me machucar!!

    Dito isso, Dennis novamente correu em direção à Ryan, desferindo outro soco idêntico ao soco anterior.

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    Re: A caça à bandeira

    Mensagem por Cah em Qua Jul 08, 2015 9:39 pm

    Mais uma vez, Ryan saiu da frente à tempo. Com aqueles movimentos previsíveis estava ficando cada vez mais fácil desviar...

    —Digo o mesmo pra você, seu boboca! —Ryan jogou a adaga que estava em sua outra mão, mirando o lado do jovem — Quer me fazer dormir aqui?
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    Re: A caça à bandeira

    Mensagem por Hack em Qua Jul 08, 2015 9:40 pm


    Incapaz de mudar de direção após iniciar seu golpe, Dennis grunhiu ao sentir a lâmina da adaga cortar sua camiseta e sua pele, notando um líquido quente escorrer por ali: sangue. O ruivo ignorou a dor do corte, ocupado demais ficando furioso com o comentário do filho de Hermes. Seu rosto sardento estava literalmente quente. Queimando de raiva.

    — Você vai ver só quem é o boboca aqui quando eu quebrar sua cara com minhas manoplas—!!

    Dito isso, Dennis concentrou sua fúria nos punhos de bronze, que apitaram e soltaram mais vapor. Fogo implodiu dali, envolvendo as manoplas em chamas laranjas e brilhantes, iluminando o ambiente ao redor.

    — TOME ISSO!! HAAAAA!

    Outra vez, o ruivo arrancou e atacou, mirando um soco na cara patética de Ryan. O ar ao redor das manoplas era quente o suficiente para criar ondas de calor e queimar algo sem sequer atingi-lo diretamente. Com certeza, um soco de Dennis ia causar uma queimadura feia e uma internação breve na enfermaria do Acampamento...

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    Re: A caça à bandeira

    Mensagem por Cah em Qua Jul 08, 2015 9:41 pm

    Agora desarmado, Ryan se encontrava em terrível desvantagem. A súbita mudança em Dennis tinha o surpreendido, o que tomara alguns segundos de reação ao novo ataque. Cobrindo o rosto, Ryan se abaixou o mais rápido que suas pernas permitiriam, praticamente se jogando ao chão. Se tivesse sorte o grandão só tropeçaria nele.
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    Re: A caça à bandeira

    Mensagem por Hack em Qua Jul 08, 2015 9:42 pm


    Dennis seguiu com o golpe, mas só não esperava que o baixinho fosse se agachar. O soco de Dennis passou raspando por cima do elmo de Ryan e, sendo carregado pelo peso das manoplas, o filho de Hefesto acabou tropeçando no outro garoto, espatifando-se no chão.

    — O-Ouch...!!

    O ruivo gemeu, demorando-se para se recuperar da queda e se erguer novamente.

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    Re: A caça à bandeira

    Mensagem por Cah em Qua Jul 08, 2015 9:43 pm

    A ideia apressada de Ryan tinha dado certo, mas o garoto também foi ao chão com o impacto da colisão. Só que Ryan se levantou no mesmo instante ao perceber que algo estava errado.

    — Quente, quente,QUENTE...!! QUE DROGA É...!?!

    As pontas de seus dedos arderam quando o garoto tirou o elmo e o jogou longe. A parte de cima tinha derretido e estava toda disforme. Não sobrara nada do penacho vermelho decorativo. Mas Ryan não percebeu nada disso, ele estava com a cabeça entre os joelhos esfregando sofregamente os cabelos na tentativa desesperada de tirar as gotículas de metal incandescente que queimavam seu couro cabeludo. A dor que sentia era tão grande que começou a lacrimejar. Sua testa e suas bochechas, que também tinham estado em contato com a superfície do elmo, estavam vermelhas e ardiam.

    — AI, AI, AAI,  ISSO DÓI PRA CARAMBA, SEU...! — E então o pequeno cuspiu uma íncrivel amostra de seu riquíssimo vocabulário de xingamentos e palavras de baixo calão. — VOU FAZER VOCÊ PAGAR POR ISSO!

    Tomado pela raiva e impulsionado pela dor, Ryan cerrou os punhos e começou a correr em direção a Dennis. Em apenas alguns instantes, já estava com as adagas em mãos. Arremessou primeiramente uma delas e segurou a outra com ambas as mãos, preparando um ataque mais próximo e direto.
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    Re: A caça à bandeira

    Mensagem por Hack em Qua Jul 08, 2015 9:43 pm



    Ao ouvir os gritinhos de desespero de Ryan, Dennis virou-se em sua direção, assustando-se ao ver que o elmo do menino havia derretido. Pelo jeito que ele havia reagido, era óbvio que havia se queimado de alguma forma, mesmo que não tivesse sido atingido diretamente por um soco flamejante.

    Vendo que Ryan havia se machucado, o ruivo gaguejou, num misto de arrependimento e medo. Tudo bem que odiava o pirralho, mas nunca iria querer que ele se machucasse daquela maneira. Ao notar as queimaduras e a pele avermelhada do outro, Dennis gelou.

    Havia machucado alguém pra valer. Havia machucado alguém com seu poder, justamente como mais temia.

    Toda a adrenalina que tomou conta do seu corpo ao iniciar a luta desapareceu. Preocupado com o filho de Hermes, Dennis levantou-se um tanto cambaleante, perguntando numa vozinha fina e trêmula:

    — T-Tudo bem com você, carinha...? E-Eu... Eu sinto muito e—

    Antes que pudesse se aproximar, Ryan cuspiu uma saraivada de palavrões e xingamentos, pulando em sua direção. Se antes Ryan parecia sentir muita dor, agora ele parecia estar zangado. Muito zangado.

    Dennis nem pode reagir. Céus, como o pivetezinho era rápido...! O ruivo sentiu uma pontada aguda de dor em seu braço direito: a adaga lançada pelo menor havia atingindo-o em cheio, ficando presa ao seu corpo. Ele gritou, agoniado ao pensar na profundidade daquele corte.

    — O-Olha, eu juro juro juro que não fiz isso de propósito e e e e... P-Por favorr, tenha misericórdia de mimmm!! — O filho de Hefesto choramingou, parecendo ridículo. Ele fungou, o nariz agora vermelho escorrendo ranho. —  N-N-Não me bata com muita força e... Por favor, não estrague meu rostinho lindoo!!!1!

    Dennis estava apavorado com a mudança de personalidade do outro. Ele tentou recuar alguns passos, procurando uma brecha para fugir correndo daquela batalha.



    Última edição por Hack em Qui Jul 09, 2015 1:15 am, editado 1 vez(es)
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    Re: A caça à bandeira

    Mensagem por Cah em Qua Jul 08, 2015 9:44 pm

    Mas Ryan não ia ouvir, estava irritado demais para ouvir. Com as duas mãos segurando fortemente a adaga que lhe restou ele desceu os braços em outro ataque decidido.
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    Re: A caça à bandeira

    Mensagem por Hack em Qua Jul 08, 2015 9:46 pm


    Dennis encolheu-se e fechou os olhos, esperando pelo último e fatal golpe. Começou a rezar baixinho para todos os deuses que conseguiu lembrar: Zeus, Deus, Buda, Alá e Chuck Norris, já conformado com sua morte. Mas foi então que um grito desesperado ecoou pela floresta inteira, um grito de fazer gelar o sangue.

    O ruivo reconheceu aquele grito. Era um grito do seu meio-irmão, um grito de Mark.

    Sobressaltado, a adrenalina novamente tomou conta de seu corpo. Sem se importar com mais nada, Dennis conseguiu milagrosamente esquivar do golpe do baixinho e, desengonçado, saiu correndo em direção ao grito do meio-irmão, deixando Ryan sozinho sem nem olhar para trás.

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    Re: A caça à bandeira

    Mensagem por Cah em Qua Jul 08, 2015 9:46 pm

    Ryan se espantou com a velocidade de Dennis em desviar do seu ataque, mas não ia ficar por isso, ainda havia energia em seu pequeno corpo. Foi quando notou que Dennis pretendia fugir. O filho de Hefesto correu tão rápido que Ryan mal conseguiu esboçar uma reação. Em questão de segundos, ele já havia sumido. E o menino ficara para trás encarando a floresta.

    —EI!! — Ryan gritou, ainda que não adiantasse para mais nada. —Volte aqui! Seu covarde!!
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    Re: A caça à bandeira

    Mensagem por Hack em Qua Jul 08, 2015 11:02 pm



    LUTA: MARK


    Mark trincou os dentes, furioso. Cerrou os punhos, desejando mais que tudo encontrar Dennis para enchê-lo de porrada. Estava com as mãos fechadas com tanta força que os nós dos seus dedos estavam brancos.

    — Cara, você não vai me deixar sozinho aqui, né...? — Perguntou Thiago, dando uma risadinha nervosa.

    Eu vou matar ele. — O loiro rosnou e, em passos furiosos, correu atrás do ruivo.

    Thiago franziu o cenho, incrédulo.

    — ...... SEUS FILHOS DA—

    ***


    Mark afastou um galho da cara, soltando um palavrão ao sentir um mosquito o picando. Ainda irritado por Dennis tê-lo desobedecido e saído de seu posto, o filho de Hefesto urrou e deu um pontapé num tronco que estava caído no chão, que saiu voando por metros antes de espatifar-se em mil pedaços após chocar-se contra uma grande rocha.

    — Sardento desgraçado... Se eu te achar eu vou te bater tanto, mas tanto, que você vai ter preferido ter morrido praquela Hidra naquela porcaria de museu, seu ingrato...

    Foi então que Mark ouviu gritos e o som de vários passos. Mesmo longe, pode reconhecer a voz irritante de Nelson:

    — QUEM ESTÁ AÍ??

    O loiro gelou, mordendo o lábio inferior e ficando imóvel, em completo silêncio.

    “Droga... Por quê diabos eu fui chutar aquela porcaria de tronco, hã??”

    A vontade que Mark tinha era de se matar. Havia dado a sua localização para os inimigos. E não para qualquer inimigo, mas para o líder deles, para o pior cara que poderia se entregar: para Nelson. Se ele o pegasse e descobrisse a localização da bandeira... aquilo seria o fim de tudo.

    — POR ALI, IMBECIS!! RÁPIDO!!!

    O som de vários valentões do chalé de Ares marchando e derrubando tudo em seu caminho fez com que Mark entrasse em alerta e saísse correndo por entre as árvores, sem olhar para trás. Correu para longe da bandeira, em direção ao regato ali perto. Sabia que era incapaz de fugir; era questão de tempo até que o alcançassem. Se pelo menos pudesse distraí-los...

    Mark escutou o barulhinho de água corrente. Não desacelerou o passo, seguindo em frente e entrando dentro do regato, dando uma olhada para trás.






    ... Nenhum sinal dos filhos de Ares.

    Aliviado, Mark suspirou profundamente. Mas ao voltar o olhar para frente, encontrou a ponta da uma lança apontada em seu pescoço, logo abaixo de seu queixo. O cheiro de ozônio infestou suas narinas, fazendo com que o loiro torcesse o nariz. Mais um passo em falso — ou algum comentário imbecil, — e seria perfurado pela lança elétrica de Nelson.

    — Eaí, Barrett?? Mas que surpresa agradável encontrá-lo vagando pela floresta!! — O garoto deu um sorriso perverso, os olhos vermelhos brilhando por detrás do capacete feioso de cabeça de javali. — Se perdeu dos outros brutamontes do chalé 9, hmm?

    Mark limitou-se a estreitar seu olhar. Atrás de Nelson, contou um, dois, quatro outros brutamontes do chalé 5, todos eles completamente armados e protegidos e com o mesmo olhar sanguinário de seu líder.

    — Bom encontrar você também, Nelson. Será que agora pode tirar seu palito de dente eletrizado da minha cara, por favor...? Só me dê um momento para pegar meu martelo e quebrar sua cara de uma forma justa...

    Nelson riu, debochado, sem afastar sua arma.

    — Qualé Barrett?? Você não tá com medinho de levar um choque, né...? — Disse, a voltagem da lança aumentando subitamente. — Sabe, Barrett... Eu ainda não esqueci da vergonha que você me fez passar naquele outro dia lá, na frente daqueles novatos imbecis e dos meus meio-irmãos... Você deve estar se achando o fodão, né?? O maioral!! Pois fique sabendo que hoje, você vai me pagar pelo que fez... Vou fazer você se arrepender de ter dado as caras nos meus treinos e mostrar qual que é o seu lugar...!!

    O filho de Hefesto franziu o cenho, sem acreditar que Nelson ainda está ofendido pela luta entre os dois. Na moralzinha, aquilo não havia sido nada demais. Chegava até a ser hilário o fato do outro ainda estar ressentido por causa disso.

    Mark deu uma risada abafada, relaxando a postura.

    — Certo, certo... Foi mal pelo seu dente e blablabla. Agora, que tal a gente resolver isso de homem para porco, num bom e velho mano a mano, hm? Tipo, meu martelo na sua cara...?

    Nelson não achou o comentário de Mark nem um pouco engraçado. Ele trincou os dentes, tremendo de raiva. E por um momento, o loiro realmente acreditou que teria sua garganta atravessada pela arma do outro garoto.

    Mas Nelson apenas sorriu. Um sorriso perverso e sádico.

    — Aah, Barrett... Uma pena que eu não estou afim de ser justo hoje, hm?? — Ele recolheu sua arma, lançando um olhar aos irmãos. — Peguem-no.

    Os quatro outros campistas de Ares assentiram. O primeiro a atacar foi um garoto que empunhava uma clava. Mesmo alerta, Mark não teve tempo de transformar seu relicário em martelo. Ele esperou pelo momento certo para desviar do golpe do adversário, que era bem óbvio: um golpe de cima para abaixo, mirado em sua cabeça. Quando o filho de Ares baixou sua arma, Mark deu um passo para o lado e segurou o pulso do garoto, amassando a proteção que cobria o local e realizando um movimento afim de desarmá-lo, girando e torcendo o pulso dele. O campista gritou e largou a clava; nisso, o loiro o chutou para longe, derrubando-o de cara no regato onde estavam pisando.

    Aproveitando a brecha, Mark levou a mão até seu colar. O acessório tornou-se um martelo de bronze celestial de cabo curto num piscar de olhos, mas não tão rápido o suficiente para que seu dono revidasse ao golpe que estava prestes a receber. O filho de Hefesto nem sequer percebeu quando outro meio-irmão de Nelson avançou em sua direção — esse armado de um escudo e um gládio, reconheceu Mark — e lhe acertou o escudo na cara, pegando-o de surpresa. Atordoado, Mark cambaleou para trás, recebendo um corte diagonal nas costelas.

    Mesmo usando uma armadura que protegia o peito e o tronco, o golpe havia sido forte o suficiente para machucar o rapaz, que grunhiu de dor. Ao levar a mão até o local, notou que a estrutura da armadura havia sido danificada, amassada.

    Sem tempo de reagir, Mark foi acertado de novo pelo mesmo meio-sangue, que atacou com o gládio no mesmo local de antes. Mark encolheu-se de dor e, num golpe desesperado, segurou o cabo do seu martelo com força e o girou, torcendo para que acertasse o adversário. O martelo acertou no peitoral do outro, que foi empurrado para trás. Mas isso não significava que estava a salvo: um terceiro campista o atacou pelas costas com um machado de guerra, e nisso, Mark caiu de joelhos no chão.

    — Vamos, Barrett!! Onde está aquela sua força de monstro lá?? Não me entedie!!

    O loiro apenas lançou um olhar raivoso na direção do outro líder, franzindo os lábios.

    Ignorando a dor que aquilo lhe causou, Mark levantou-se num pulo e correu em direção à Nelson, empunhando o martelo acima de sua cabeça. Pela expressão idiota de surpresa na cara do rapaz, era óbvio que ele não esperava que revidasse — não após os golpes que recebeu — e justamente por isso conseguiria pegá-lo desprevenido.

    Mas não foi o que aconteceu. Nelson podia estar despreparado, mas a segunda no comando do chalé de 5 não estava.

    Dia, a meia-irmã de Nelson interceptou o golpe com seu escudo. Ela grunhiu ao ser ligeiramente empurrada para trás com o impacto, mas manteve-se firme, decidida a proteger seu líder.

    A garota de cabelos negros curtos baixou o escudo apenas o suficiente para olhar para o rosto estupefato de Mark e dar um sorrisinho vitorioso. Mas Mark já havia perdido a paciência.

    Sem nem se importar se estava lutando com uma garota ou não, Mark agarrou a borda do escudo de Dia e o arrancou de suas mãos, jogando-o longe. Sem dar tempo para que ela reagisse, Mark puxou seu martelo para trás e golpeou a cabeça da campista com toda sua força.

    Um estouro metálico foi ouvido. Dia saiu voando por metros, rolando entre os pedregulhos do fundo do regato. Ela parou após ser arrastada por uma grande distância, ficando completamente imóvel e silenciosa.

    Os outros filhos de Ares olharam para a irmã, em choque. Então, voltaram seu olhar para Mark, os olhos vermelhos brilhando de raiva. Mas não uma raiva idiota, mas sim, raiva pelo que o loiro havia feito com sua meia-irmã. Raiva de verdade.

    — Seu desgraçado...! — Rosnou um dos garotos, o do escudo e do gládio.

    — Você tá muito morto, cara!! — Gritou o outro.

    Os três pularam para cima de Mark, juntos. Até o que havia perdido sua clava a recuperou rapidamente e lançou-se na direção do líder do chalé de Hefesto. Mas Mark não estava mais de brincadeira. Repleto por adrenalina, ele revidou aos golpes o melhor que pode, ignorando a dor em suas costelas e o corte em suas costas. Estava tão envolvido naquela batalha que nem sequer se importava em desviar ou amparar os golpes alheios, sendo atingido muitas vezes. Sangue escorria de suas vestes e cortes profundos estavam espalhados por todo o seu corpo, misturando-se com cicatrizes de cortes de batalhas passadas. Mas não importava o quanto batiam em Mark, ele não parava de lutar e contra-atacar.

    — C-Caramba...! — Resmungou um dos campistas, ofegante. — C-Como é que ele ainda tá de pé??

    Realmente, a resistência do loiro era assustadora. Alguém normal não suportaria tantos daqueles golpes. E também não lutaria selvagemente após ser tão ferido assim.

    Mark pulou em cima do garoto da clava, martelando seu peitoral. O garoto foi lançado metros para trás, chocando-se contra uma rocha do regato. Os dois outros campistas de Ares atacaram juntos, conseguindo desarmar o loiro. O martelo de bronze foi lançado para uma das margens do riozinho. Mas aquilo não impediu que Mark continuasse a atacar.

    Com as mãos nuas, Mark socou a cara do rapaz do machado. Quando ele tentou atacar, Mark desviou apenas para não ter a cabeça decepada, golpeando o pulso do campista e partindo tanto a armadura que protegia o local quanto o próprio pulso.

    O garoto gritou de dor. O loiro aproveitou para pegar o machado e parti-lo em dois com as próprias mãos, desarmando completamente o filho de Ares, que recuou amedrontado. Lançou um olhar na direção do campista que havia sobrado, que trêmulo, deu alguns passos para trás e levantou o escudo. Mark socou o escudo com tanta força que o atravessou, lançando o novo “frisbee” regato abaixo. O garoto soltou um guincho e, quando Mark estava prestes a atravessar sua cara com outro soco, Nelson interviu.

    O filho de Hefesto urrou quando sentiu a ponta da lança atravessar seu peitoral de couro e sua carne. Mas quando levou uma descarga elétrica, Mark gritou ainda mais alto, seu corpo inteiro tremendo por conta da voltagem da arma.

    — Hmph!! Pensando que ia escapar dessa, hein Barrett?!

    Nelson deu um sorriso arrogante. Mark encolheu-se de dor, mas manteve-se de pé, fuzilando o outro líder e mostrando os dentes como um bicho. Sentindo-se um tanto ameaçado, Nelson gritou:

    — NEM ME OLHE COM ESSA CARA FEIA, SEU MOSTRENGO!!

    O líder de Ares novamente atacou, ficando sua lança no peito do filho de Hefesto. Eletricidade novamente percorreu o corpo de Mark, que soltou outro grito e caiu de joelhos no regato. Um cheiro terrível de queimado saía do loiro que, encharcado por causa da água, sofria em dobro com os choques elétricos. E como se isso não bastasse, Nelson ainda aumentava a voltagem da porcaria da lança.

    — E ENTÃO BARRETT, COMO SE SENTE SENDO HUMILHADO NA FRENTE DE TODO MUNDO, HM?? — Mark não respondeu, ocupado demais urrando. — ME RESPONDA!!! É BOM??

    Nelson chutou o outro rapaz, derrubando-o de cara no chão. Pisou nas costas dele, com força, fazendo com que Mark tossisse e engolisse água.

    — HAHAHAHAHAHAHA!!!! VAMOS, BARRETT!! DIGA ALGUMA COISA!!


    Nelson novamente fincou a lança elétrica no corpo do loiro, dessa vez em suas costas. Ele riu sadicamente enquanto Mark lutava para sair debaixo dele. Seus outros meio-irmãos o olharam com espanto. Horror. Aquilo era sádico demais até mesmo para o líder.

    — N-Nelson... Eu acho que i-isso já tá de bom tamanho e... — Começou um dos garotos, que tremia.

    — Cara, para com isso!! Não tá vendo que o cara tá detonado?!

    O líder de Ares mostrou os dentes para os irmãos, apontando a lança em sua direção. Seus olhos brilhavam perversamente.

    — CALEM A BOCA, SEU BANDO DE INÚTEIS!! — Rosnou, feroz e ameaçador. — SE VOCÊS NÃO CONSEGUEM FAZER SEU TRABALHO DIREITO DE SURRAR O BARRETT, ENTÃO EU TENHO QUE FAZER ISSO SOZINHO!!! E É MELHOR VOCÊS FICAREM QUIETINHOS AÍ, OU CASO TENTEM ME IMPEDIR... SERÃO VOCÊS QUE VÃO SENTIR A VOLTAGEM DA MINHA LANÇA, TÃO OUVINDO????

    Os campistas assentiram a cabeça, completamente apavorados, e se mantiveram quietos, assistindo àquele espetáculo cruel. Por mais que temessem por Mark, tinham mais medo de apanhar de Nelson que tudo.

    Nelson coçou o queixo, pensativo.

    — Hmm.. Onde foi mesmo que paramos, Barrett...? Ah, eu lembrei!

    O rapaz segurou o cabo de sua lança com força, aumentando ainda mais sua voltagem. O cheiro de queimado e de ozônio era terrível, mas Nelson não se importava. Ele riu, cruel, preparando um próximo golpe. Mas então...

    — PAREEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE!!!!!!!

    Um gritinho agudo fez com que Nelson se distraísse, revirando os olhos e olhando na direção daquele berro ridículo. Na margem do regato encontrou um garoto magricelo, os cabelos alaranjados grudados no rosto sardento.

    — Hein??

    Dennis correu em direção aos dois líderes. Apesar de extremamente cansado pela luta que tivera com Ryan e por ter percorrido a floresta inteira com as manoplas enormes nos punhos, ele ignorou a dor que sentia no peito, mais preocupado com o motivo do grito de Mark.

    Mas ao encontrar o meio-irmão jogado no regato, debaixo da sola da bota de Nelson, todo ensanguentado e queimado, o ruivo congelou. Aquilo parecia uma cena de um filme de terror. O loiro grunhia, desesperado, tremendo como se estivesse tendo uma convulsão. Apesar disso, o filho de Ares não parecia se importar.

    — O q-q-quê... Por quê... — Gaguejou Dennis, sentindo seu estômago revirar. — V-Você está louco?!?! O QUÊ VOCÊ FEZ COM MEU IRMÃOZÃO?! SAIA JÁ DE CIMA DELE!!

    Nelson franziu o cenho, só então reconhecendo Dennis.

    — AAAH!! Você é aquele sardento idiota de Hefesto que colocou fogo na floresta...!! Hm, foi mal, mas eu ainda não terminei o que eu quero fazer com seu “irmãozão”... — E abafou o riso, zoando o apelido que Dennis dera à Mark.

    Dennis cerrou os punhos (que à essa hora, eram só punhos normais, não punhos de bronze), tremendo de raiva. Seu rosto ficou vermelho como um tomate, e como sempre costumava acontecer quando ficava furioso, fumaça começou a sair de sua cabeça.

    — EU DISSE PRA SAIR DE CIMA DO MEU IRMÃOZÃO, SEU VALENTÃO CABEÇA OCA!!! AGORA!!

    Nelson não levou os xingamentos à sério. Ele ignorou Dennis, voltando sua atenção para sua lança e Mark. A lança elétrica estalou ameaçadoramente, pronta para um próximo golpe.

    — EU. DISSE. PARA. SAIR. AGORA!!!!!!


    Dennis lançou-se na direção do líder do chalé 5. Enquanto corria, a temperatura de seu corpo aumentou drasticamente e, em questão de uma fração de segundo, Dennis explodiu em chamas, se jogando para cima de Nelson. Ele tirou Nelson de cima de Mark, socando inutilmente seu peitoral com as mãos nuas. Porém, o fogo de seu corpo se espalhou para o outro, que gritou.

    Nelson deu um empurrão em Dennis, que caiu de bunda no chão.

    — QUEIMAQUEIMAQUEIMAQUEIMAAAAA!!!!

    Desesperado, Nelson correu em círculos, a capa vermelha em chamas. Ele tentou retirar o capacete e desmontar a armadura, que estava aquecida e queimava sua pele, mas era difícil de fazer isso com as luvas também pegando fogo. Sem outra opção, o filho de Ares se jogou na água rasa do regato, rolando e tentando apagar as chamas.

    Se antes os outros campistas olhavam horrorizados para Nelson, agora olhavam horrorizados para Dennis, que chocado demais com o que tinha feito, não conseguiu fazer nada para ajudar. Temendo que Dennis colocasse fogo neles também, os meio-irmãos de Nelson se ergueram com dificuldade do chão e foram até o líder e Dia, pegando suas armas e carregando-os para a floresta, para longe dos dois filhos de Hefesto monstruosos.

    O ruivo caiu de joelhos no chão, observando os outros campistas fugindo dele. Olhou então para as suas mãos nuas, trêmulo. O quê ele tinha feito...?

    Dennis sentiu os olhos marejarem, assustado. Com medo de si mesmo e de seu poder. Um grunhido de Mark fez com que o garoto sardento saísse de seus devaneios e enxugasse os olhos, arrastando-se até o meio-irmão.

    — Irmãozão!! Você... você está bem?! IRMÃOZÃOO!!

    Mas Mark não respondeu. Ele perdeu a consciência caindo de cara no regato outra vez.

    — IRMÃOZÃO!! IRMÃOZÃO!!!! A-Ah, céus... P-Por favor, a-a-aguente firme!!! E-Eu... Eu vou levá-lo para um lugar seguro e... Vamos cuidar de você... P-Por favor aguente...! N-Não ouse me deixar sozinho, tá ouvindo??

    Dennis soluçou, com medo que fosse tarde demais para ajudar o loiro. Seu estado era terrível: havia cortes profundos espalhados por seu corpo e várias queimaduras, provavelmente feitas pela lança elétrica do líder de Ares.

    Com dificuldade, o ruivo arrastou o outro para a margem do riozinho, passando o braço musculoso de Mark por seu ombro. Dennis gemeu ao fazer isso, mas ignorou a dor dos próprios machucados e seguiu em frente, decidido a levar o irmão para um lugar seguro.

    — A-Aguente firme, por favor...

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    Re: A caça à bandeira

    Mensagem por Hack em Qui Jul 09, 2015 2:50 am


    TIME AZUL:

    A caça estendeu-se pelo resto da noite. Foi apenas quando a trombeta soou que a caça terminou, coroando seu vencedor.

    Thiago estava sentado em seu posto, perto da bandeira do time azul. Esperou pelo retorno de Mark e de Dennis, mas nada deles aparecerem. Graças a Zeus nenhum inimigo do time vermelho apareceu para roubar a bandeira — caso contrário, estaria ferrado se tivesse que protegê-la de vários filhos de Ares. Mas do jeito que Nelson era desorganizado e pela maneira que tinha liderado as últimas caças, era de se esperar que algo em seu plano desse errado.

    Foi então que Thiago ouviu uma gritaria vindo de dentro do bosque. Ele se ergueu, esperançoso:

    — Mark??

    Alicia e seus meio-irmãos entraram na clareira, gritando um hino de vitória. Os filhos de Atena brandiam seus escudos orgulhosos, acompanhados pelos filhos de Apolo, que lideravam uma cantoria, e os filhos de Deméter, que pulavam alegre atrás dos outros campistas. Kathy e Ceci também pareciam alegres com o resultado da caçada — que já era esperado. O estandarte de Ares, da cor vermelha com uma cabeça feiosa de javali estampada na bandeira mudou de cor. Tornou-se prateada, e o símbolo de uma coruja tomou o lugar do javali. Sinal de que o chalé de Atena havia ganho mais uma caça seguida.

    — CONSEGUIMOS!! GANHAMOS, MEUS COMPANHEIROS!!! — Gritou Alicia, orgulhosa de si mesma, erguendo o estandarte mais alto.

    Uma salva de palmas e gritos animados ecoou por todo o lugar. Thiago apenas suspirou pesadamente, tentando encontrar os meio-irmãos no meio daquela multidão mas... nem um sinal deles.

    — Caramba... Onde foi que vocês se meteram, hein? — O garoto suspirou pesadamente, indo à procura dos dois.

    O time azul então reuniu-se para comemorar a vitória. Alicia não deixava mais ninguém chegar perto do estandarte, certa de que a honra daquela vitória cabia apenas a ela e seu plano perfeitamente executado.

    — Eu quero só esfregar isso na cara daquele brutamontes, humph!! — Ela empinou o nariz, dando um sorrisinho arrogante. — Mas o que mais poderia se esperar de uma filha de Atena como eu? Haha!! Aposto que ele ficaria orgulhoso, esteja aonde estiver agora...

    XXX


    TIME DE RESGATE:

    Enquanto os membros do time azul comemoravam sua façanha, Larissa e os sátiros do time de resgate passaram o resto da noite procurando por campistas feridos que haviam sido deixados para trás na floresta. Encontraram muitos meio-sangues machucados gravemente e, mais uma vez, Larissa se perguntou por que ainda aprovavam tal atividade. Aquilo era mais uma carnificina que uma brincadeira.

    — Certo... Woody, leve-o para a enfermaria, ok? — Pediu Larissa, limpando o suor da testa e suspirando pesadamente.

    O sátiro assentiu a cabeça, ajudando um menino que havia quebrado a perna a se levantar.

    — D-DÓIIII!! — Guinchou o garoto, chorando de dor.

    — Aguente só mais um pouquinho, certo? Prometo que você vai melhorar. — A gordinha deu um largo sorriso, afim de animar o outro.

    Wooly e o menino seguiram em direção a saída da floresta. A filha de Dionísio olhou para os outros membros do time de resgate, soando cansada.

    — Vocês estão dispensados. Voltem para o acampamento e vejam se precisam de ajuda na enfermaria. Não se esqueçam de pedir a lista de chamada dos líderes dos chalés para ver se não tem nenhum campista desaparecido... Eu vou continuar procurando e ver se encontro mais alguém...

    — T-T-Tem c-certeza que n-não precisa de ajuda, Larii? Q-Q-Quero dizer... Não n-n-os importamos d-de ajudar e... — Insistiu um dos sátiros, percebendo que a garota estava exausta.

    Mas Larissa sacudiu a cabeça de forma negativa, sorrindo a fim de disfarçar o cansaço.

    — Está tudo bem. Não se preocupem comigo; eu sei me virar. Mas muito obrigada pela ajuda de todos vocês hoje... Os campistas também agradecem.

    Os sátiros sorriram.

    — D-D-Disponha s-sempre, Larii!! B-Bem, t-tome cuidado, o-ok?

    Ela assentiu. Nisso, os sátiros retornaram para o acampamento, deixando-a sozinha na floresta. A gordinha olhou para cima, notando a luz da lua passando pela grossa copa das árvores dali... Agora que a caça à bandeira havia terminado, o lugar estava calmo e silencioso como sempre. Se não fosse o sangue espalhado pela vegetação e as armas e armaduras destruídas deixadas por aí, aquele passeio pelo bosque seria muito agradável...

    XXX


    TIME VERMELHO:

    Enquanto o time azul tratava de fazer a comemoração mais barulhenta possível, o time vermelho tratou de retornar para seus devidos chalés. Os filhos de Afrodite deram graças a Zeus quando foram dispensados, indo tirar seu sono de beleza obrigatório após retirar os quilos de maquiagem que as garotas haviam utilizado. Já os campistas de Hermes e indeterminados buscavam um jeito de participar das comemorações do time azul e de roubar alguma comida. Outros campistas, como Enmei, só queriam se jogar na cama após aquela caça terrível e acordar nunca mais.

    No chalé de Ares, os campistas levavam um esporro tremendo de Nelson, que só observava a comemoração espalhafatosa do outro time com desgosto. Estava mais furioso e mau-humorado do que de costume, irritado por ter sua armadura destruída. O capacete de javali estava irreconhecível, enquanto sua capa vermelha-sangue havia virado cinzas.

    — AQUELES MONSTRENGOS DO CHALÉ 9... AAAUGH, COMO EU ODEIO ELESS!!! — Gritou Nelson, jogando seu capacete contra a parede do chalé. — EU QUERO MATAR AQUELE SARDENTO IMBECILL!! ELE VAI PAGAR POR TER ARRUINADO MINHA VINGANÇAA!!!!

    Os meio-irmãos de Nelson trataram de ouvir seu surto em silêncio.

    Após o pequeno “choque” com Dennis, Nelson havia se ferrado todo. A armadura esquentou tanto que causou queimaduras horríveis e graves no garoto, que estava com a pele toda avermelhada e cheia de bolhas. O próprio rosto de Nelson estava marcado, e ele parecia ainda mais assustador do que de costume.

    — VOCÊS TODOS SÃO MESMO UNS IMBECIS!!! SEUS MULHERZINHAS!! O QUE VOCÊS FAZEM DURANTE OS TREINOS, HEIN?? BRINCAM DE BONECA?! EU DEVERIA DAR UMA SURRA EM CADA UM DE VOCÊS PARA ENSINAR COMO É QUE SE BATE, INÚTEIS!!! POR CAUSA DE VOCÊS, AQUELA NERD DE ATENA CAPTUROU A NOSSA BANDEIRA E GANHOU A CAÇA... DE NOVO!!! VOCÊS NÃO SABEM DEFENDER A PORCARIA DE UMA BANDEIRA, POR ACASO?? NÃO CONSEGUEM NEM SEQUER DEFENDER ESSES TRASEIROS GORDOS DE VOCÊS??? POIS ESPERO QUE GOSTEM DE LIMPAR PRIVADAS, PORQUE É ISSO QUE VAMOS FAZER O RESTO DO VERÃO INTEIRO POR TERMOS PERDIDOS ESSA CAÇA!!!!!!

    Ninguém ousou confrontar Nelson que, num acesso de fúria, derrubou um armário do chalé. Ele grunhiu que nem um bicho, puxando os cabelos negros com força. Lá longe, podia ouvir todo o chalé de Atena comemorando sua vitória de forma mais indiscreta possível. Com certeza, para deixá-lo ainda mais furioso.

    — Aquela guria vai ver só... Ela vai se arrepender de ter mexido comigo, ah se vai... — E deu um sorriso perverso, seus olhos vermelhos brilhando.

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    Re: A caça à bandeira

    Mensagem por Hack em Qui Jul 09, 2015 4:00 am


    Os músculos de Dennis queimavam de dor, e a vontade que o garoto tinha era de morrer. Parecia que nunca iria sair daquela floresta, que não conseguiria sair dali vivo.

    Era difícil carregar Mark nos ombros. O meio-irmão parecia pesar meia tonelada e, como se já não bastasse, os machucados adquiridos durante a luta contra Ryan ardiam. Dennis ofegava, exausto, completamente suado. Sua visão começou a embaçar.

    O ruivo jogou Mark no chão, de qualquer jeito, apoiando-se nos joelhos e tentando recuperar o fôlego. Ele grunhiu ao sentir uma pontada aguda de dor no braço esquerdo, levando a mão até o lugar. Para sua surpresa, a adaga do pirralho ainda estava presa ali.

    Dennis ficou pálido. Sem pensar muito, segurou o cabo da arma e a puxou de uma só vez, dando um gritinho agudo ao retirá-la do braço. Como num passe de mágica, a adaga sumiu de suas mãos num “puf”. E sangue começou a verter aos montes do ferimento.

    Ele olhou para a mão encharcada de sangue:

    — S-Sangue...? A-Ah...!!

    E em seguida, desmaiou. Dennis podia jurar que tinha ouvido uma vozinha chamando seu nome, mas...

    XXX

    Dennis abriu os olhos lentamente, as pálpebras pesadas. Olhou para o teto, meio grogue, reconhecendo o local onde estava.

    Estava no chalé de Hefesto, em sua cama.

    Como havia ido parar ali...?

    O garoto ergueu o tronco, gemendo com isso. Ao olhar para seu corpo, viu que estava vestindo apenas uma calça limpa. Seus braços e suas costelas estavam enfaixadas. Sua língua estava formigando, sinal de que haviam lhe dado néctar para beber.

    Ao olhar para o lado, para a cama de Mark, Dennis o encontrou também só usando uma bermuda e com o corpo cheio de ataduras, roncando. Mas diferente de si, Mark parecia estar num estado muito mais grave. Estava tão enfaixado que parecia mais uma múmia. Thiago estava checando os curativos do loiro, num silêncio mortal. Parecia tenso.

    Então, o garoto negro virou-se em sua direção. De repente, seus músculos relaxaram e ele abriu um enorme e branco sorriso, feliz em ver que Dennis havia acordado.

    — Carinha!! Finalmente você acordou! Caramba, eu já estava começando a ficar preocupado, hein?? — Ele se aproximou da cama do ruivo, apoiando-se na beirada. — Eaí, como é que você tá se sentindo?

    Dennis tentou falar, mas o que saiu da sua boca foi um “ushfg”. Thiago riu.

    — Velho, o que aconteceu com vocês dois?? Vocês estavam praticamente mortos quando eu os encontrei lá na floresta!! Sorte de vocês em ter um meio-irmão como eu, hein?

    Dennis esboçou um sorrisinho, grato. Então tinha sido Thiago que havia o socorrido e o levado de volta para o chalé. Será que ele sozinho havia carregado os dois..?

    Thiago pareceu ler os pensamentos do meio-irmão.

    — Ah, Larissa me ajudou a carregar vocês de volta pro acampamento. Uugh, eu ainda tô com dor nas costas de ter arrastado Mark pra cá...! — Grunhiu Thiago, afagando a coluna. — Larissa também me ajudou a cuidar dos ferimentos de vocês dois... A enfermaria estava lotada e, conhecendo Mark, tenho certeza que ele não iria querer ficar lá, então... trouxemos vocês dois pro chalé e tratamos seus ferimentos. — Explicou, pacientemente. — Não se preocupe com nada por hora, beleza? Durma um pouco; você precisa descansar. Vocês dois. Amanhã nós conversamos.

    Dennis assentiu, dando um longo bocejo. Sentindo-se sonolento, deitou a cabeça no travesseiro, dando uma última olhada em Mark.

    “Boa noite, irmãozão... Descanse bem.”

    Então, fechou os olhos e pegou no sono.

    XXX

    Dennis acordou com o cheirinho de pão recém-saído do forno. E presunto. Ele abriu os olhos, dando de cara com Thiago e uma grande bandeja de café da manhã.

    — Bom dia, bela adormecida!! — O garoto negro riu-se. — Café da manhã! Espero ter pego o suficiente para você, carinha...

    Thiago entregou um grande prato com pão, queijo, presunto e mais um cacho de uvas para Dennis. Além disso, havia pego também um grande copo de suco de laranja.

    — U-Uau! — O ruivo sentou-se na cama, lambendo os beiços. — V-Valeu cara!!

    — Disponha! E não se preocupe, eu fiz as oferendas por nós três. Coma tudo, tá ouvindo? Você tá magrinho demais!

    Dennis corou de leve, assentindo a cabeça várias vezes. Enfiou um pão inteiro na boca, além de um pedaço de queijo, e pôs tudo por goela abaixo com a ajuda do suco de laranja. Ele então olhou para Mark, que estava virado de costas para ele, dormindo em sono profundo.

    — Como é que ele tá? E-Ele... vai ficar bem...? — Perguntou Dennis, receoso.

    — Bah. Não se preocupe com Mark, valeu? Quer dizer, ele já apanhou muito mais que isso. Sabe como é; vaso ruim não quebra. — E riu, querendo quebrar o gelo. — Mark só precisa descansar um pouco. E nós dois precisamos trabalhar. Pronto para um dia cheio hoje, carinha?

    O garoto sardento suspirou pesadamente, ainda preocupado com o loiro. Quando Thiago mencionou que precisariam trabalhar, Dennis gaguejou, quase se engasgando com um pedaço de presunto.

    — T-Trabalhar?! Você quer dizer... nas forjas e tudo mais...?

    — Claro, onde mais? — Thiago riu-se. — Não se preocupe, carinha. Você não vai precisar forjar nada. Mas a vida continua depois da caça, sabe? Precisamos ir até a floresta coletar as armas que deixaram para trás, consertá-las e devolvê-las aos seus devidos chalés. Mas pode deixar o trabalho pesado comigo; só quero que você devolva as armas, beleza?

    Thiago deu um tapinha no ombro de Dennis, que tossiu. Estranhamente, seu corpo não doía mais. Parecia que nem sequer tinha se quebrado todo na noite anterior...

    — Partiu então?

    Dennis assentiu, enfiando o que restava do seu café da manhã na boca. Ele então pulou para fora da cama, vestindo uma camiseta do acampamento, um moletom e os all-stars, seguindo Thiago para fora do chalé.

    XXX

    Após coletarem todas as armas e armaduras que encontraram na floresta, Dennis seguiu Thiago até as Forjas, ajudando o meio-irmão a separar as armas por tipo. Thiago se pôs a consertar todas elas e, habilidoso, logo já havia deixado uma pilha de armas para Dennis devolver.

    O garoto sardento pegou um carrinho e foi levando as armas de chalé em chalé, repondo o arsenal de cada um. Ele deu uma olhada no papel que Thiago havia lhe dado explicando qual arma ia para cada chalé.

    — Hmm... Esses escudos aqui... — Dennis coçou a cabeça, tentando entender a letra feia do meio-irmão. — Ah! Chalé 6! Que dever ser o de... Atena. Isso mesmo! — Ele sorriu, olhando para os escudos no carrinho. — Tá na hora de devolver vocês, hein galerinha?

    Dennis foi em direção ao chalé 6, fácil de reconhecer. Puxou o carrinho consigo e, chegando na entrada do chalé, parou ao pisar em alguma coisa.

    O filho de Hefesto deu um gritinho, pulando para trás. Ele olhou para baixo, afim de ver no que havia pisado. Mas o que encontrou fez seu estômago se revirar todo.

    Em frente ao chalé de Atena estava uma coruja morta. A ave estava virada de barriga para cima, as asas destroçadas abertas. Sua plumagem uma vez branca estava manchada de sangue, e seus órgãos haviam saltado para fora por seu tórax partido.

    Dennis empalideceu, enojado e com pena do animalzinho. Trêmulo, ele olhou para os lados em busca de ajuda, mas não havia ninguém ali na área comum dos chalés. Todos estavam treinando, em suas devidas atividades.

    Foi então que o ruivo ouviu um barulho vindo de dentro do chalé de Atena. Ele deu um salto, assustando-se com o ruído. Encarou a porta do lugar e, após engolir em seco, deixou seu carrinho com os escudos e aproximou-se, na ponta dos pés, sem querer fazer barulho.

    Dennis segurou a maçaneta. Por um segundo, hesitou. O coração batia à mil em seu peito.

    Ele então abriu a porta. Numa vozinha fina, indagou:

    — A-A-Alguém aí...?

    E entrou.

    Seus olhos se arregalaram. Suas pernas ficaram bambas. Dennis deu um grito estridente e caiu para trás, sem desviar o olhar da cena.

    Alicia estava morta.

    A garota estava na mesma posição que a coruja que havia encontrado segundos atrás. Estava deitada no chão, a barriga virada para cima, os braços abertos, as pernas unidas. Seus olhos vidrados encaravam o teto, enquanto uma poça de sangue se formava em baixo de seu corpo. Em seu tórax havia um grande buraco, provavelmente causado pela ponta de uma lança.

    Dennis segurou sua barriga e virou a cara para o lado, finalmente desfazendo o contato visual. Então, vomitou.

    Era apenas questão de tempo até outros campistas aparecessem ali...


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    Re: A caça à bandeira

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      Data/hora atual: Qua Nov 22, 2017 6:03 pm